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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Era uma vez....


Na caatinga nordestina, um bichinho do mato vivia a perambular a procura de novos horizontes.
Mudou o rumo, seguiu o prumo e embrenhou-se noutra vegetação cheia de seres iluminados, esquisitos e por que não, atraentes.
Porém, o caminho lhe propôs desafios. BM que se preze tem que romper o casulo, o que significa usar novas roupas, olhar com outros olhos, ouvir mais sons, saborear outros sabores...
E os dias passam, o tempo voa...e o BM continua numa boa.

Um comentário:

  1. BM, eu vou lhe contar um segredo, eu diria mais, vou relembrar a você algo que deve saber perfeitamente: A coisa mais sofrida para um “bicho do mato” não é ele ser um bicho do mato, um medroso, um fujão ou, como alguns dizem, um fóbico social, mas, sim, quando ele, por vontade própria ou por cobranças alheias, passa a tentar interagir com a “civilização”...
    Eu também me considero um bicho do mato e tenho tentado sair desse ostracismo caminhando desconfiadamente em direção ao “povo”, os chamados “civilizados”... BM, você sabe que essa transição é difícil, pois você passa a se expor muito mais... Passa a ser convocada a dar sua opinião, a fazer parte de um grupo e a testemunhar algo incrível! Do que eu estou falando? Eu li o e-mail que você pediu para que enviassem-me, minha amiga, e veio à cabeça uma certeza de que você está passando pela mesma “síndrome” e processo pelos quais passei, e ainda estou passando: o trauma de descobrir que a “civilidade” é uma mera palavra,uma quimera, pois essa humanidade nossa ainda é mais animalesca do que nós, bichos do mato, podíamos supor!
    É um choque, né? Então nos “caçam”, nos puxam e nos tiram do mato para, ironicamente, nos arremessarem no meio de uma selva de pessoas dissimuladas, que são francamente hematófagas, se alimentando do nosso sangue (energia e inocência)... Mata-se, ataca-se por motivos torpes, ou mesmo sem motivo algum... As fêmeas matam seus filhotes, os deixam à mercê de quaisquer perigos, e esses filhotes muitas vezes são aliciados por adultos mal intencionados que os exploram das maneiras mais vis e biltres possíveis...
    Eles chamam-nos a nos, os autênticos bichos do mato, de quadrados, antiquados e caretas... Vivem no “Cio” das drogas, das bebidas, do sexo desvinculado do amor... Tomam calmantes aos montes, vivem à base de “tarjas pretas” para suportarem com uma sociedade que eles mesmos construíram, mas não a agüentam...
    Eles querem que nós, BM, nos tornemos Pops, pra depois nos tornarmos neurotizados e ansiosos...
    Agora eu lhe pergunto: Depois que você saiu da sua “toca”, depois que você desenfurnou-se, o que você vai fazer? Prosseguir essa “expedição” rumo a esse mundo novo ou voltar para o seu lugar de antes? A volta é possível?
    BM, eu não tenho as respostas, não tenho o bálsamo para curar suas feridas e sei que o momento agora é da triste descoberta de que o Mundo e, principalmente as pessoas que nele habitam, não são tão bonzinhos assim...
    Você se iludiu, muito porque quis se iludir, mas também encontrou no seu caminho supostos amigos que nada mais eram do que hábeis ilusionistas e enganadores...

    “Auto-ilusão é o processo de nos enganarmos a nós mesmos de modo a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido. É, de um modo abreviado, uma maneira de justificarmos crenças falsas a nós mesmos.”
    Pior do que se iludida, BM, é querer se iludir... Nisso, a responsabilidade recai exclusivamente sobre você.
    Fica esperta. Não deixa ninguém te pegar, não!
    Vamos ser bichos do mato escorregadios e plenamente conscientes do que queremos e com quem queremos... Não caiamos no canto da Sereia desse mundo louco e de pessoas intolerantes e asselvajadas.
    Tenha a certeza de que encontrou também amigos leais como eu a PRINCESA...
    Beijos! Paz e Bem!

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