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Uma luz, que na falta de palavra melhor,
não posso denominá-la de outro modo, senão amarela. (Van Gogh sobre os
girssóis)
Para superar esse elevado tom de amarelo a
que cheguei neste verão, tiver de superar limites. (Van Gogh em carta ao irmão
Theo)
Ao se falar sobre a obra de Vincent van Gogh,
logo vem à nossa mente os seus belos girassóis. O artista holandês não foi o
primeiro a eleger tão belas flores como tema, mas, sem dúvida, nenhum outro
pintor deu-lhes tamanha vitalidade e força, como o fez Van Gogh.
A famosa série de girassóis (sete quadros
com um número de três, cinco, doze e quinze girassóis) exigiu muita dedicação e
urgência do pintor, pois, se as flores eram colocadas num vaso de manhã cedo,
murchavam ao fim de algumas horas. Como Van Gogh tinha como
característica a rapidez com que pintava, era recompensado pela velocidade ao
pintar seus girassóis. Nenhum outro pintor poderia captar a beleza que ele
imprimia em suas telas, resultante da presteza de seu olhar diante da
transitoriedade das flores. O amarelo dos girassóis vinha carregado da mais
pura magia, com se nele estivessem agregados pedaços do sol.
O girassol sempre esteve ligado à simbologia,
representando fecundidade, vida e nostalgia, em função de sua relação com o
astro rei. Como um ser devoto, ele se ajoelha diante do sol, acompanhando-o na
sua trajetória de vida, recebendo a luz que dele emana com abundância. Apenas
na sua maturação, o girassol cessa a sua reverência, paralisando-se na posição
da nascente. Talvez seja por isso que Van Gogh tenha se encantado tanto
com os girassóis.
Embora o artista tenha dado início à temática dos
girassóis em Paris, abandonando as tonalidades do cinza e buscando uma escala
de cores mais vivas, foi em Arles, para onde partira em busca de luminosidade,
que encontrou a explosão do amarelo, ou seja, foi onde encontrou a mais alta
nota amarela, que já vinha buscando na capital parisiense.
Quando observamos a série de girassóis de Van
Gogh, somos tomados pela exuberância da cor amarela, que invade toda a tela,
diante de nossos olhos extasiados. Ali também encontramos os tons vermelhos,
azuis e verdes que parecem ter a função de apenas realçar a luminosidade do
amarelo.
Ao pintar sua série de girassóis, Van
Gogh tinha como objetivo decorar o seu ateliê, preparando-o para receber o
seu amigo, também pintor, Gauguin, pois sabia que ele também tinha predileção
pelo tema. De modo que as pinturas foram penduradas no quarto de hóspedes. O
pintor holandês pensava em pintar muitos outros quadros sobre girassóis, mas acabou
não concretizando seu objetivo. Perfeccionista, Van Gogh só considerou
bons, dois dos quadros pintados, colocando neles a sua assinatura.
Van Gogh sempre deixou claro que Os
Girassóis estavam inclusos entre as suas obras mais importantes, pelo modo como
os pintou, usando apenas uma gama de cor – o amarelo e sutis matizes de linhas
vermelhas e azuis.
Todos os amigos do pintor conheciam o amor que
ele nutria pelos girassóis. Adeline Ravoux, filha dos donos da pensão, onde Van
Gogh se hospedava antes de dar fim à vida, assim se expressou, ao falar
sobre seu enterro:
Seus amigos trouxeram muitas flores amarelas,
principalmente dálias e girassóis.
Segundo alguns diagnósticos não comprovados, Vincent
van Gogh sofria de xantopsia (visão dos objetos em amarelo) e, por
essa razão, dava-se o exagero do amarelo em sua pintura. Outra teoria fala
sobre o uso de digitalis, receitado pelo doutor Cachet, que poderia ter
ocasionado sua visão amarelada. E outros documentos ainda relatam que na
verdade ele era daltônico. Trocando em miúdos, quanto mais famoso é o
gênio, maior é o número de teorias.
Assim como o girassol transforma seu olhar
apaixonado pela luz do sol que a tudo dá vida (…), a Arte da Pintura, por inata
inclinação, animada por um fogo sagrado, segue a beleza da Natureza. (Joost van
der Vondel, poeta holandês no século XVII)
(*) Doze Girassóis numa Jarra (1888)
É tida como uma das melhores e mais famosas obras do pintor holandês, tendo sido trabalhada com pouquíssima cor, além do amarelo, façanha técnica quase inigualável. Encontra-se entre as telas mais famosas do mundo. Tal sucesso e reconhecimento contrastam com a vida de Van Gogh que sempre viveu com extrema dificuldade e à margem da sociedade da época.
Fontes de pesquisa:
Mestres da Pintura/ Editora Abril
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Van Gogh/ Editora Taschen
Van Gogh/ Girassol
Mestres da Pintura/ Editora Abril
Grandes Mestres da Pintura/ Coleção Folha
Van Gogh/ Editora Taschen
Van Gogh/ Girassol



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