
E a mania de desabafar persistiu, agora não mais em pedaços de guardanapos ou rascunhos. Chegou a vez da minha agenda!
Agenda dos desabafos:
Dos planos por muitas
vezes frustrados;
Dos programas falidos,
Dos anseios sonhados,
ora perdidos.
Da sabedoria ouvida,
do lamento soado;
da voz que cala;
do silêncio zumbido.
Das reuniões enfadonhas,
embora um tanto discutidas,
aprendidas.
Agenda solitária, por que não solidária?
Em lembrar dos esquecidos,
em sonhar o impossível,
em desejar o infindável...
E novamente...sempre, de registrar...
Registrar o que é importante,
e até o desnecessário.
Folhas em branco no descortinar de
palavras no silêncio.
Que preenche suas lacunas ao dar-se conta
Da solidão paradoxal.
Solidão que não chega a doer,
mas que perde-se no meio de tantas
diversas coisas que aqui se escreve.
Coisas das quais não se entende mais,
as quais se deseja lembrar de esquecer, apagar.
E os dias seguintes, passados, presentes não
se ajustam, apenas transcorrem com sua
variedade ímpar.
E conclui sua trajetória
com a ousadia e coragem em denunciar
sua pretensa existência.